A questão da utopia, que se pretende fazer própria apenas ao socialismo e às correntes libertárias, é um atributo do homem enquanto homem. Não nascemos nunca no mundo que nos é próprio, precisamos instituir nossos territórios de pertença. Se aos socialistas se atribui a utopia como pecha, como incapacidade romântica de adequação a uma realidade que se propõe insuperável, deve-se apresentar aos conformistas, das mais variadas ordens, a fatura da distopia. Afinal de contas, quanto custa em vidas humanas este sistema que faz vistas grossas ao genocídio e ao flagelo de milhões de seres humanos, na África certamente, mas também na América, nos Estados Unidos, no Brasil, tão perto de nós quanto a próxima esquina? O que dizer da destruição suicida do meio ambiente, que não pode ser contida nos quadros de uma sociedade que institui o consumismo como fenômeno compensatório – em que a destruição da cultura humanística e a pobreza afetiva são correspondidas pela exorbitância da riqueza material? Se a utopia, portanto, refere-se a nossa capacidade irrefreável de indignação perante às mazelas do existente, os conceitos envolvidos com a liberdade socialista são francamente utópicos.
| Peso | 306 g |
|---|---|
| Estado de Conservação | muito bom estado |
| Ano | 2009 |
| Autor | Carlos Siqueira |
| Editora | Quanta |
| Idioma | Português |
| Número de Páginas | 194 |
| Tipo | Usado |


